MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS NA NEUROSSÍFILIS E AVALIAÇÃO DOS ESQUEMAS DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE RELATOS DE CASO ENTRE 2000 E 2026.
DOI:
https://doi.org/10.51721/n4mac594Palavras-chave:
Neurossífilis, Manifestações neuropsiquiátricas, Tratamento, Protocolo farmacológicoResumo
A neurossífilis, manifestação neurológica da infecção por Treponema pallidum, tem apresentado reemergência epidemiológica preocupante nas últimas décadas. A literatura atual dessa forma clínica baseia-se predominantemente em relatos de caso, limitando a geração de evidências robustas sobre protocolos terapêuticos específicos. O objetido dessa pesquisa é avaliar os esquemas terapêuticos empregados no manejo das manifestações neuropsiquiátricas da neurossífilis, com ênfase nos protocolos antibióticos, medicações adjuvantes e seus desfechos clínicos. Realizou-se revisão sistemática conforme diretrizes PRISMA 2020, analisando relatos de caso publicados entre 2000 e janeiro de 2026 nas bases PubMed, Embase, Scopus e Google Scholar. Foram incluídos 58 casos individuais com diagnóstico confirmado por critérios liquóricos e manifestações neuropsiquiátricas documentadas. Observou-se predomínio de comprometimento cognitivo progressivo em 32 casos (55%), caracterizado por desorientação, déficits de memória episódica e alterações comportamentais frontais. Sintomas psicóticos agudos ocorreram em 28 relatos (48%), com delírios de grandeza ou persecutórios em 23 casos (82% das apresentações psicóticas) e alucinações auditivas em 12 (43%). Episódios de mania psicótica com cognição preservada foram documentados em sete casos (12%). O tratamento antibiótico de primeira linha consistiu predominantemente em penicilina G cristalina intravenosa (18–24 milhões de unidades internacionais/dia por 10–14 dias), com resposta clínica significativa já nas primeiras 72 horas. A associação com antipsicóticos atípicos (risperidona, olanzapina, quetiapina) demonstrou superioridade no controle de sintomas psicóticos agudos quando combinada à antibioticoterapia adequada. Contudo, verificou-se dissociação marcante entre resposta sorológica (declínio de VDRL/RPR) e recuperação funcional cognitiva, com apenas 42% dos casos de formas parenquimatosas apresentando reversibilidade completa dos déficits, especialmente quando o diagnóstico foi estabelecido após 18 meses de evolução sintomática. O diagnóstico precoce constitui fator prognóstico determinante para recuperação funcional. A penicilina G cristalina intravenosa permanece padrão-ouro terapêutico, enquanto a abordagem combinada antibiótico-psicofarmacológica mostra eficácia superior no manejo sintomático agudo. Entretanto, formas parenquimatosas tardias frequentemente evoluem com sequelas cognitivas irreversíveis, mesmo após erradicação bacteriana adequada, reforçando a necessidade de triagem sorológica sistemática em apresentações neuropsiquiátricas atípicas ou refratárias.
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